10 músicas instrumentais do Metal Nacional que expandem os limites e barreiras do gênero

Em um país de proporções continentais como o Brasil, a miscigenação cultural e regional faz com que a nossa arte seja absolutamente única, rica e carregada de complexidade, isso reflete inclusive no Metal Brasileiro, que desde seus primeiros registros mostra uma personalidade ímpar independente da vertente.

Separamos 10 músicas instrumentais de diferentes épocas e gêneros para que você possa explorar toda a grandiosidade do que os artistas do Metal Nacional criaram e seguem criando. Confira:

Casagrande & Hanysz – “Hope Refuge”

Casagrande & Hanysz é um projeto instrumental do baterista Eloy Casagrande, do Sepultura, junto com o guitarrista João Hanysz. A ideia é apresentar um repertório experimental, focado no rock progressivo e em trilhas de videogame.

O duo teve início após Eloy lançar um desafio no Instagram, convocando os seguidores a compor uma música com base nas suas levadas. A performance de Hanysz chamou a atenção e, em pouco tempo, já havia repertório pronto, o que gerou o EP “Edge of Chaos”. Nele, a parceria aposta em ritmos complexos e percorre diversos caminhos, como o djent, math rock e o metal progressivo.

PsicosFeras – “Anaptixe”

Depois de lançar o single “Dionisíaca”, o PsicosFeras lançou o EP instrumental “Suarabácti”, com músicas compostas pelo guitarrista Fabricio Oliveira e que traz os irmãos Andria (baixo) e Ivan Busic (bateria), além do guitarrista Thiago Melo, do Dr. Sin.

Musicalmente, “Suarabácti” traz influências de rock progressivo, hard rock e metal, em uma jornada sonora que explora as paisagens imaginárias e emocionais da mente humana. Ao lado do Dr. Sin, Fabricio Oliveira combina harmonias ousadas, melodias cativantes e arranjos intrincados nas cinco faixas de “Suarabácti”.

Terra – “Montaria”

“Montaria” é uma canção instrumental do álbum de estreia do projeto Terra, de Lucas Barbosa, que resume musicalmente a mensagem da busca pelo autoconhecimento do disco como um todo, trazendo em si toda a grandiosidade e capacidade artística de Lucas Barbosa, que através de seus quase 10 minutos, executa seu vasto repertório como multi-instrumentista e compositor, indo desde as levadas rítmicas e os campos harmônicos do Sertanejo e da Música Caipira até peso do Rock e do Heavy Metal, com influências que vão de Almir Sater e Zé Ramalho à Angra e Metallica. Seu desenvolvimento, metaforicamente representado através do aprender a cavalgar, expressa progressivamente toda a curva de aprendizado através dos ciclos da canção, com a música terminando quase como começou, mas de maneira absolutamente mais harmônica e organizada, representando a experiência adquirida e a fluidez observada a partir disso.

Tuatha de Danann – “Dream on Dreamt”

O disco mais recente do Tuatha de Danann, “In Nomine Éireann”, é uma verdadeira celebração à música Folk, Música Celta Irlandesa e ao Metal. Prova disso é a emocionante faixa instrumental de encerramento do disco, “The Dream One Dreamt”, que começa com uma linha de violão que remete aquela que precede o refrão de “Spellboundance”, acompanhada de belíssimos efeitos criados por Edgard no teclado, que desfila todo seu vasto e refinado repertório nesta canção, seguida por uma linha lindíssima e comovente de banjo, instrumento esse que esteve presente mais do que nunca neste disco e que aqui convida cada um dos instrumentos a bailarem sua melodia como se um por um viesse saudar e agradecer sua participação e importância na composição desse disco e da admirável história do Tuatha, numa despedida tão divertida e emocionante quanto “Tingaralatingadun” fora para o disco que carrega seu nome.

Igor Bollos – “Ilusão”

Apesar de muito jovem, Igor Bollos é um guitarrista muito conceituado no Jazz, que atualmente vem dando vazão para uma outra faceta de sua genialidade artística, explorando o Heavy Metal em seu novo projeto solo. Depois de lançar uma música de mais de 8 minutos voltada para o Death Metal, em “Ilusão”, seu novo single e videoclipe, Igor Bollos demonstra coragem e ousadia em lançar uma balada instrumental de seis minutos, esbanjando toda a técnica, o feeling e a versatilidade de um músico que, apesar de muito jovem, já possui uma carreira bastante consolidada.

Igor Bollos transita com versatilidade pelos mais diversos estilos, fazendo trabalhos que passam por gêneros como jazz, fusion, rock, MPB, funk, R&B, pop, blues e heavy metal. Ele também é um artista LGBTQIA+, algo raríssimo quando se trata da cena da música instrumental brasileira, sendo um dos poucos que levanta essa bandeira.

Limbo7 – “Lotus”

“Lotus” mostra a ousadia e a grandiosidade artística do quarteto capixaba, Limbo7, que se recusa a baixar a cabeça para os limites e regras enfadonhos impostos pelo Metal, misturando em sua música elementos de MPB, Samba, Funk, Bossa Nova, e tudo mais que for necessário para expressar sua arte. A faixa que carrega o título do recém lançado álbum de estreia da banda é a prova definitiva de que eles vieram para renovar e expandir.

Formada em 2020, durante a pandemia, a Limbo7 vem criando uma considerável base de admiradores do seu trabalho, já tendo se apresentado ao lado de bandas como Black Pantera, Matanza Ritual e Dead Fish, chamando a atenção até mesmo do Sepultura.

Janaina Melo – “Introspection”

Janaina Melo é uma das mais reconhecidas bateristas do Metal Nacional na atualidade, conciliando sua carreira solo com seu trabalho na banda The Damnnation, da qual passou a fazer parte recentemente. Em seu single e videoclipe mais recente, “Introspection”, Janaina mostra toda sua técnica em seu instrumento, mostrando como é possível manter o Heavy Metal contemporâneo sem perder a sua essência.

Junior Carelli – “Matterhorn”

O renomado tecladista Junior Carelli lançou em 2019 seu álbum instrumental, “A Little Bit of Everything”. O trabalho é um compilado de músicas inéditas do tecladista, misturado com composições extras de suas bandas. “Este é um material que estava guardado há muitos anos nos meus arquivos e quis soltar para os fãs conhecerem um pouco este meu lado instrumental, que ainda é bem forte na minha carreira. São faixas que acabaram não sendo usadas nas bandas que toco, mas que são muito boas e mereciam ser divulgadas para todos os que gostam da minha carreira”, disse Junior Carelli.

Marcelo Souza – “Secret Code”

“Secret Code” é uma das faixas do álbum “Human Vs Machine” do guitarrista Marcelo Souza. “O conceito de ‘Secret Code’ refere-se ao código secreto da vida, do nosso DNA e dos mistérios do funcionamento do nosso cérebro. Apesar de ser uma ‘máquina’ muito poderosa, conhecemos ainda muito pouco sobre nós mesmos e nossa própria inteligência”, explicou o guitarrista. “A sonoridade é mais progressiva e tensa, com a parte rítmica mais trabalhada e, tecnicamente, é uma das mais difíceis de se executar do álbum”, acrescentou.

Embora o sucessor de “Circle of Fire” (2011) não seja um trabalho conceitual, os títulos e letras sugerem temas relevantes e, de certa forma, interligados. “Cada música foi criada com sonoridades e sensações diferentes. Em alguns momentos, tensas e pesadas; em outros, suaves e tranquilos, sempre tentando equilibrar minhas influências de maneira mais pessoal, com minha identidade”, explicou o guitarrista.

Sepultura – “Inquisition Symphony”

Em “Inquisition Symphony” do álbum “Schizophrenia”, de 1987, o Sepultura mostrou o quanto o Brasil poderia contribuir com sua identidade única para se criar algo novo dentro do Metal Extremo. “Inquisition Symphony” mostra a genialidade de uma banda que viria a conquistar o mundo com sua criatividade e com o vigor visceral de suas composições.

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